Marketing Digital: tendências e oportunidades

Marketing Digital - Tendências e oportunidades

No dia 26 de novembro de 2016 fui convidado a ministrar uma palestra na Semana de Comunicação na Faculdade Pitágoras – Campus Guarapari, Espírito Santo com o tema “Marketing Digital: Tendências e Oportunidades”. Vamos aos subtemas abordados?

 

MARKETING DIGITAL: POR ONDE COMEÇAR?

Esta é a pergunta que todo empreendedor ou estudante que queira se aventurar nesta área faz. Se você der um Google no termo “Marketing Digital” vai quer que conteúdo é o que não falta na internet, mas a maior dificuldade é saber separar o conteúdo produtivo do lero lero, gerado por gurus digitais. E isso pode ser uma armadilha para iniciantes. Então o conselho é: fuga dos pacotes “seja especialista com um clique”. Comece a ler. Siga referências. Estude. Afinal de contas, são muitas vertentes a serem exploradas.

O marketing digital não envolve só conceito, envolve prática de mercado. Falo isso pois vejo muitos profissionais vendendo o serviço de marketing digital sem ao menos coletar um briefing decente com o cliente ou oferecendo o mesmo padrão do serviço para todos os segmentos. Não, isso não é marketing digital.

Muitos microempreendedores, para otimizar o fluxo de caixa, preferem por conta própria colocar a “mão na massa” antes mesmo de estudar o segmento, de fazer um planejamento, coletar estimativas, definir padrões de comportamento, monitorar a concorrência e a audiência sem definir, enfim, os indicadores de desempenho do negócio. Acabam por não enxergar o retorno de investimento nas ações desenvolvidas, tomando pontos de partidas sem conexões ou otimizações de investimento.

Depois de muito tentar e não conseguir, culpam a internet, o canal mal administrado ou a ferramenta: “ah, mas já fiz e não dá resultado“. Mas de quem é a culpa?

 

PESCAR X CAÇAR (A INTERNET NÃO É DE GRAÇA)

Podemos fazer a analogia da pesca e uma pessoa frustada com o insucesso do negócio da internet. Um dos grandes erros de quem investe no digital é achar que o comportamento do usuário é o mesmo de um consumidor no ponto de venda. Não é. Na internet, o comportamento de pescador não funciona. O pescador espera pacientemente o cliente passar pelo seu negócio, esperando-o cair na isca para então vender o produto ou serviço.

É por isso que na internet, o papel da marca é ser caçador. Imagine uma floresta, com muitas oportunidades, mas também ameaças. Os clientes estão soltos nesse ambiente e muitas das vezes, estão fazendo outras coisas e sem o interesse em comprar algo naquele momento. E são safos. É a caça. Caçar para sobreviver. E falamos de estratégia neste momento. Estratégia de curto, médio ou longo prazo, que envolve ferramentas diversas para a compreensão da diversidade de características e comportamentos do cliente, até então “anônimo” e misturado entre tantas possibilidades de segmentação.

Consegue ver a diferença? Toda vez que alguém disser “mas investir na internet é de graça, eu não preciso pagar tanto para aparecer…” lembre-se do pescador.

 

MOBILE-FIRST (SIM, AINDA!)

Quer tema mais falado e batido do que esse? Pois é. Temos registros do início dos anos 2000 sobre o tema, com o maior destaque em 2011, com o crescente acesso multitelas no Brasil. Até hoje vem sendo tratado nas agências, nas rodas de desenvolvedores ou nos eventos de marketing digital. Ok, isso é um fato. Mas então porque ainda deve ser tratado como oportunidade?

Pode parecer clichê, mas muitos negócios embrionários ou de baixo investimento (realidade das pequenas cidades Brasil afora, por exemplo) esquecem do básico e já querem partir para anunciar sem nem ter feito o dever de casa primeiro. Pensar no usuário que vive no smartphone, que tem o comportamento mobile, que precisa de acesso rápido com usabilidade e qualidade deve ser premissa de toda empresa.

O Google já priorizou nos seus algoritmos considerando o Mobile-First. Até nossos avós já trocaram o xadrez e o crochê pelo WhatsApp. Mesmo assim, vemos muitas empresas ignorando este ponto fundamental com o destaque “sem orçamento no momento”. Então, falaremos de mobile first enquanto ele ainda não for first na realidade do cliente, enquanto existir oportunidade de crescimento. Já passou da hora de mudar.

 

GEOLOCALIZAÇÃO

Não é sobre apenas estar ou não em um lugar, mas dos rastros que deixamos por onde passamos. Fazemos check-ins no Swarm, somos marcados em lugares no Instagram, traçamos rotas no Waze, deixamos avaliações no Foursquare e autorizamos aplicativos a coletarem nossos dados em 2º plano.

Com a tecnologia do GPS aliada ao do bluetooth 4.0, muitas empresas estão saindo na frente, entregando conteúdo personalizado através de ferramentas como o Beacon, que consegue localizar com precisão a área de maior tráfego, por exemplo, que uma empresa de varejo tem, além de oferecer ofertas exclusivas via mobile. Além disso, a mensuração de conversões por visitas físicas já é realidade, como já falamos em um post anterior.

O CEO da RocaSalvatella, explica como os grandes dados vão revolucionar o setor de turismo. Destinos turísticos, como Barcelona, podem ser planejados dela prefeitura aproveitando big data e geolocalização utilizando o bando de dados de operadores de telefonia celular para gerenciar melhor o fluxo de visitantes que recebem. Um exemplo de Big Data e Geolocalização. Confira a apresentação, em espanhol.

 

REPUTAÇÃO ON-LINE

Uma empresa se engana ao achar que o fato de estar distante dos canais digitais faz com que a sua reputação on-line esteja protegida. Não é uma questão de escolha, mas de gestão e claro, oportunidade. O boca a boca é imensurável, mas quando esse boca a boca vai para o digital, a marca tem em mãos a chance de reavaliar seu posicionamento e seu negócio com base na opinião de seus consumidores, tendo um canal próprio ou não. No Pinterest da Âncora Digital separamos alguns exemplos reais de serviço de atendimento ao consumidor, tanto de sacadas quanto de equívocos.

 

USUÁRIO PROTAGONISTA

youtubers

Quem um dia poderia imaginar que os 15 minutos de fama poderiam render anos? Que os produtores de conteúdos anônimos da internet poderiam ganhar destaque, a ponto de serem chamados para programas de televisão como convidados especiais, a pretexto da audiência?

Sim, estamos falando dos youtubers, influenciadores digitais e toda essa galera que produz entretenimento caseiro e faz tanto sucesso que acaba ampliando o campo midiádico de atuação. O exemplo acima, temos três clássicos: Ana Maria Brogui, que passa receitas de pratos tradicionais de grandes marcas para qualquer um fazer em casa; Jout Jout, com sua simples simpatia e carisma, levou o tema do empoderamento feminino à discussão, mas fala da vida e de fatos cotidianos também; e Whindersson Nunes, que apesar do nome diferente, ultrapassou há poucos meses o canal Porta dos Fundos no Youtube e vai fechar 2016 como o canal de vídeo com o maior número de fãs.

As marcas estão desesperadas por eles. E não era para ser diferente. Os fãs de internet são engajados, espalham o conteúdo, se mobilizam e tudo vira pauta, de uma hashtag no trending topics ao faturamento de uma bilheteria de cinema. Um bom exemplo é a influencer Kéfera, que começou no Youtube com um simplório vídeo sobre a Vuvuzela na Copa do Mundo e hoje já escreve livros com sucesso de público na Bienal de São Paulo, tem e-commerce que vende seus produtos personalizados, ganha dinheiro com o Google Adsense através de publicidade em seu canal e ultimamente lançou um filme sucesso de bilheteria, com música bombando no Spotify (superando grandes artistas nacionais com uma simples trilha, composta para o próprio filme).

Cada dia mais, usuários consomem seus próprios conteúdos, produzem tutoriais, compartilham suas vidas, geram informação e empatia para fins próprios e acabam por alcançarem o ápice. Como eles, tantos outros influenciadores estão espalhados. E não só os broadcasters que a mídia fala todos os dias, mas os influenciadores de nicho (moda, educação, fitness, alimentação…) e os influenciadores de tendências. As oportunidades estão aí.

 

BRANDED CONTENT

Pouco explorado ainda no Brasil, o termo Branded Content, apesar de muito falado, não é executado ao pé da letra como já acontece ao redor do mundo. Isto porque muitos acreditam que estamos falando de publieditorial, publipost, product placement ou algo do gênero. Definitivamente, Branded Content não é publicidade.

No Branded Content, o protagonista é a narrativa e não o produto. (Guga Lemes, BeGiant)

As empresas por trás das marcas possuem uma certa dificuldade em trabalhar com essa forma de comunicação por acreditarem em adaptações de meios, reflexo das fórmulas engessadas da mídia tradicional. Como falamos de entretenimento, de história por trás da comunicação, para se conectar com o seu público, uma marca precisa buscar sua verdade, sendo autêntica e relevante. A marca Dove, no projeto “Dove Real Beauty Sketches” exemplifica isso em um premiado case:

 

INTERNET DAS COISAS

Atualmente, quase todos os dispositivos que utilizamos normalmente (telefones celulares, tablets, laptops e computadores) estão conectados à internet. No entanto, há uma grande separação entre o mundo físico e o mundo digital quando pensamos em todas as coisas que utilizamos diariamente. É esta separação que a Internet das coisas (IOT) está tentando reduzir, estreitando as demandas usuais para serem cada vez mais interligadas, inteligentes o suficiente para se comunicarem entre si. Você já deve ter ouvido falar da geladeira que verifica os itens que estão faltando e faz uma compra automaticamente no e-commerce através do pagamento virtual pré-cadastrado, enviando no horário que o cliente tem chegado em casa nos últimos três dias, poupando tempo. Ou o robô cozinheiro, que ao imitar os movimentos humanos, repete uma receita exatamente como ela foi feita. Exemplos como esses começarão a ser comuns em alguns anos e soluções mais práticas serão cada dia mais viáveis e acessíveis economicamente falando. Esta é uma tendência a ser observada de perto.

 

BIG DATA

Imagine um cenário em que é possível analisar de forma coerente e rápida informações em tempo real e em quantidade não controlada, transformando dados em valor para as organizações. Este é o BIG DATA. Segundos a EMC, o Big data Analytics engloba escala, distribuição, diversidade e velocidade de criação.

Por muito tempo as empresas definiam suas estratégias de negócio pelo feeling, experiência de seus colaboradores ou por estimativas baseadas em pesquisas de um mercado macro com poucas segmentações. É aí que entra o Big Data: com análise e inteligência, é possível tomar decisões otimizadas de uma empresa a partir da coleta de dados em um universo de informações, disponíveis por diversos canais, ferramentas, plataformas e comportamentos específicos de usuários/consumidores. Desta forma, qualquer indicador-chave de desempenho terá no Big Data a oportunidade de tomar decisões mais assertivas, com maior chance de acertar nos objetivos do negócio, seja ele qual for. O documentário abaixo é uma excelente oportunidade para começar a entender o assunto:

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